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  • Mariana Souza

A tecnologia significa o fim da advocacia?

Embora o Século XXI tenha diminuído o entusiasmo com carros voadores e invenções mirabolantes, os avanços tecnológicos continuam moldando diversas faces da sociedade. No direito, ele pode significar o fim dos advogados? Sim, mas não do jeito que você pensa e eu te explico o porquê.



Imagine um cenário muito comum antigamente: você é um advogado júnior, cuja a principal função dentro do escritório é “fazer carga”, ou seja, ir até o Fórum e retirar processo físicos para que os outros advogados se manifestem.


Você pode até fazer uma peça ou outra, mas sua principal atribuição é facilitar esse caminho entre o processo físico e a mesa dos seus colegas mais experientes.

E, então, surge o processo digital.

Não é como se todos os processos físicos tivessem sido extintos, mas a demanda pelo seu serviço diminui drasticamente e você tem medo de ser demitido.

Nesse cenário, é comum as pessoas culparem a tecnologia pelo “fim” dos seus empregos.

Assim como o jovem advogado, o processo eletrônico, embora tenha significado o acesso à justiça para muitas pessoas, obrigou diversos advogados e advogadas a um duro aprendizado, mudando completamente a rotina e dinâmica de como se trabalhava.

Hoje, o “processo eletrônico”, ou seja, a tecnologia que tem tirado o sono de muito profissional, são as lawtechs (as startups jurídicas) que prometem mudar completamente a forma como se advoga.

Essa perspectiva de mudança pode despertar medo, especialmente daqueles que não entendem bem o papel de uma startup jurídica e temem ser substituídos.

Mas, a pergunta principal é: os avanços tecnológicos significarão, de fato, o fim dos advogados?


Bom, depende do tipo de advogado.


O que são novas tecnologias?

O primeiro passo é entender o que significa, de fato, algumas expressões, como “Novas Tecnologias”, “Automação”, “Inteligência Artificial”, que preocupam o imaginário de advogados e são tidas por mensageiras apocalípticas.

O motivo é que muitos a entendem de uma forma exagerada por causa de filmes de ficção científica.


Não é incomum encontrar advogados que imaginam um futuro onde Inteligências Artificiais ouvirão o problema do cliente, elaborarão a peça e já irão protocolar na respectiva Vara com a chance de 99.99% de sucesso.

Outros, já imaginam um escritório de advocacia só com profissionais de T.I., onde o supercomputador resolverá todos os problemas.

Bom, não é bem por aí.

Esses pensamentos, regidos pelo temor irracional do “desconhecido” são comumente utilizados por bancas que não estão dispostas a mudar seu método.

O primeiro ponto para começarmos a desconstruir esses conceitos passa por entendermos como a tecnologia já está nos afetando e como isso mudou a rotina dos advogados.

Pode parecer óbvio, mas quando os avanços estão sendo inseridos, não percebemos como nossa rotina é modificada por eles.

Além do já citado processo eletrônico, perceba, por exemplo, como o WhatsApp (junto com o avanço das câmeras de celulares) possibilitou a facilitação do trabalho e comunicação com os clientes.

Sistemas de Gestão de Escritório que extinguiram planilhas físicas e cálculos manuais sobre custos e receitas, as notificações processuais, a captação de clientes e o contato com correspondentes jurídicos, todos instantâneos.

E o que falar das máquinas?


Antes as rudimentares máquinas de escrever deram lugares a processadores potentes que rodam sistemas complexos dos Tribunais.

Então, pelo já experimentado até o momento, em que é possível observar a facilitação da rotina de trabalho do profissional do direito ao invés da sua substituição, faz sentido temer os avanços tecnológicos?


Normalmente, aqueles contrários aos avanços tecnológicos:


a) desconhecem o que se tem produzido de novas tecnologias e não percebem que já estão inseridos numa rede de avanços constantes (como a realização de audiências remotas, tolkeins, etc.);


b) estão acomodados em uma rotina de serviço diária, em que preferem militar contra mudanças do que observarem o progresso;


c) possuem interesse econômico e social no atual momento, onde avanços significariam perda de capital econômico e político.

Esses grupos, seja por medo, preguiça ou interesse, apoiam leis restritivas que impossibilitam o avanço da área jurídica.

A questão é que o progresso normalmente não se importa com os burocratas de determinada categoria e quem o teme é atropelado impiedosamente.

Acha que estou exagerando?


O Comitê dos Carroceiros e a Central Única de Vendedores de Vela concordam comigo.

Piadas à parte, o assunto deve ser observado sob a seguinte perspectiva: chegará um momento em que os profissionais do direito terão que lidar com problemas que não saberão resolver e manusear ferramentas que não foram ensinados a usar.

O futuro da advocacia exigirá cada vez mais interdisciplinaridade por parte do advogado.


Ao saber lidar com as novas ferramentas, que analisam a tendência decisória de determinado juiz, geram o contrato em segundos ou diagnosticam problemas em políticas públicas, deve-se ter noções básicas de lógica de programação, estatística e economia.


Os avanços tecnológicos não devem ser temido, pelo contrário.

O progresso, invariavelmente, é experimentado por toda a sociedade.

O Direito, por ser o responsável pelas legislações, pode ser alheio e fingir que o mundo não mudou por um tempo limitado, mas, você pode ignorar a realidade, mas não ignorar as consequências dessa realidade¹.

¹ Paráfrase da escritora Ayn Rand.



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